Uma Realidade a Respeitar

Um Conceito a ser Valorizado

1. A partir do projeto de Eixo Histórico de Santo Amaro, veio-me à mente refletir sobre o conceito internacional de Centro Histórico, e propor iniciativas urgentes.
Reconhecemos e aplaudimos os méritos dos que lutaram pelo Eixo Histórico. Já foi uma conquista. Mérito a quem o tem. Mas é insuficiente. Precisa ser, imediatamente expandido. Santo Amaro merece.
O Centro Histórico mais amplo interessa à população, interessa a Santo Amaro e interessa a São Paulo.
Esta é uma realidade histórica sem condescendências… Penso que todos concordam. Partamos para nova etapa. Se alguns discordam que discordem, democraticamente. Que digam a quem interessa um Eixo Histórico diminuto.

2. No momento em que se processa a regulamentação do Plano Diretor de S. Paulo, é oportuno levantar estas questões nevrálgicas dos Centros Históricos, com novos conceitos.
Estamos quase na 25ª hora desta questão, que consideramos inadiável.
Esperamos que os urbanistas prestem mais atenção, nesta questão, de alta repercussão, no futuro de nossa cidade-bairro, criando novos polos de desenvolvimento, em São Paulo.
Para o CETRASA – após os devidos estudos, o Centro Histórico terá as dimensões e o traçado aprovado por sua diretoria, aguardando com tranquilidade, a hora em que a Prefeitura consagrará o novo traçado e a nova realidade. Apoios não faltarão.
Adiante propomos um esboço do novo traçado urbano do Centro Histórico.

3. Centro Histórico é um conceito da realidade urbana, aplicado a cidades ou bairros mais antigos. Diria que, no Brasil, se aplica, hipoteticamente, a cidades fundadas há mais de 200 anos.
Fala-se de urbanização que precede a expansão da utilização dos motores de explosão e das ciências modernas, e até do transporte a vapor.
Falamos do tempo do transporte por carro de bois, por diligências e a cavalo ou jegue, etc., quando as pessoas andavam a pé, habitualmente. Isto é história e é vida. É memória.
O núcleo das cidades anteriores a 1850 (+ ou –) é o Centro Histórico da cidade moderna.

4. No Centro Histórico estavam situadas as igrejas principais, a Catedral.
Estavam situados equipamentos de saúde, de educação e de apresentações artísticas, teatro e também a sede do poder local e passeio público (praças arborizadas e parques), locais de entretenimento da população, monumentos, etc.
Aí estava o comércio básico e os escritórios de serviços, e também o sistema de segurança pública, casas religiosas e museus, etc. Sem dúvida, não havia um modelo único. Era o ponto de encontro da comunidade. Era o espaço da cidadania.
Na praça principal realizava-se o footing nos domingos. Aí se conheciam os namorados. Era um costume salutar e juvenil. Espaço de alegria. Muitas famílias ali se iniciaram.
Centro Histórico é um conceito a ser redescoberto, repensado e devidamente valorizado no Brasil;
Tem grande valor sociocultural para a população, para a posteridade. Preserva a história e a memória do povo, sua arte e seus costumes.

5. Longe de prejudicar a sociedade, é um projeto de supervalorização do espaço.
Penso que um Centro Histórico urbano nunca deveria ter menos de 02 KM2 (dois quilômetros quadrados). Esta é a dimensão mínima. Daí por diante não há limites. Cada realidade é uma realidade.
No caso de Santo Amaro, como cidade-bairro, não poderia ter menor dimensão.
Falar apenas do minúsculo Eixo Histórico é quase uma ofensa à história de Santo Amaro, uma quase ofensa que Santo Amaro não merece e até rejeita.
Santo Amaro tem orgulho de sua história. Orgulho saudável e bem-vindo, que precisa ser ampliado e consolidado.

São Paulo é composto por umas dez cidades-bairro, de origem remota, cujo Centro Histórico ainda pode ser demarcado e festejado. Aliás, precisa ser demarcado urgentemente.

Penso que todos os grandes bairros antigos, com mais de 200 anos, da megacidade de São Paulo, deveriam demarcar e valorizar o seu Centro Histórico.
Cito aleatoriamente, como exemplo a ser estudado: além de Santo Amaro, Santana, Penha, Lapa, Ipiranga, Tremembé, Tatuapé, São Miguel, Butantã, Freguesia do Ó, Jaçanã, Pinheiros, etc.
Parelheiros, no extremo da Zona Sul, tem seu Centro Histórico mais cuidado.

6. Como uma das maiores megalópole, do mundo, São Paulo precisa ser descentralizada, política e socialmente, criando uma dúzia ou mais polos de desenvolvimento.
Poderíamos ter, em São Paulo, ao menos uma dúzia de Centros Históricos.
Por que não criar um projeto de incremento dos Centros Históricos do Município de São Paulo, a ser proposto à Câmara Municipal?
O interesse sociocultural, político e econômico dos Centros Históricos é incontestável.
Esta poderá ser uma grande bandeira, que o nosso Vereador Ricardo Nunes, poderá levantar. Não lhe faltarão aliados.

7. Longe de ser um prejuízo à região, o Centro Histórico, desde que racionalmente planejado, passa a supervalorizar esse espaço especial, marcado com linha marrom, nos mapas.
O Centro Histórico é um destacado patrimônio da comunidade de que não podemos abrir mão.
O Centro Histórico marca um polo de desenvolvimento. É um rico vetor de desenvolvimento da região. Deve se preparar para ser um privilegiado ponto de encontro da comunidade, com a criação de condições adequadas, na cultura, no urbanismo, na gastronomia, na segurança, no comércio, no lazer, etc. Sempre sem exclusividade, sem dúvida.
Que seja um espaço de respeito e tranquilidade.
Que não seja nunca um reduto da malandragem, que tudo deteriora, sem fazer bem a ninguém. A todos prejudicando.
O que é bom precisa ser cuidado, com responsabilidade.

Como diremos adiante, o Centro Histórico corresponde ao chamado Eixo Histórico expandido.

8. O Centro Histórico seria dinamizado, com projetos de entretenimento, por grupos de instituições culturais, sob a supervisão do CETRASA, ou pela associação dos lojistas, sem exclusividade.
A dinamização do Centro Histórico precisa envolver os jovens, os adultos e até as crianças, em programas interessantes.
Deverão se organizar grupos de dinamização cultural, ligados ou não a instituições socioeducacionais da comunidade, como o CETRASA e outras, podendo buscar apoio público.
O Centro Histórico precisa ser um centro vital. Para isto precisa de apoios e de estímulo, do poder público e dos empresários.

9. Ao invés de ser caminho de decadência, o Centro Histórico seria um meio de revitalização e de qualidade. Um espaço de orgulho da região.
Para o Centro Histórico convergem as atenções da população, se houver boa programação, de dia e de noite.
Certamente o projeto de Centro Histórico exige medidas adicionais para atrair a população para o Centro, mais perto do Centro Intermodal.
Até este conceito ser, efetivamente, formatado e viabilizado, muitos estudos deverão ser feitos, com o máximo de seriedade, tendo em vista o bem comum e o desenvolvimento sustentável.
O Centro Histórico, como motor da região, deveria ter benefícios, inclusive fiscais.

10. A comissão do Centro Histórico faria parceria com as Faculdades, com os colégios e com os cursos livres de arte, música e dança, com empresários interessados em cultura e bem-estar do povo. Estratégia a ser equacionada…
O CETRASA poderia indicar uma comissão para estudar este tema: definição, formatação e incremento do Centro Histórico de Santo Amaro.
Poderia agitar a ideia de Centro Histórico Expandido e enviar um estudo à Câmara Municipal.

Nota: Que este material sirva como subsídio para as deliberações da Câmara Municipal e da Subprefeitura de Santo Amaro.

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