Largo 13 de Maio

LARGO 13 de Maio

Marco Zero de Santo Amaro

O Largo da Matriz

A nossa Praça da Sé

O Marco Zero de Santo Amaro

O Largo 13 de Maio, depois da Matriz, é o espaço mais emblemático, mais simbólico de Santo Amaro; de toda a nossa macrorregião de Santo Amaro – São Paulo.

Por muito tempo, foi o Largo da Matriz, da Igreja de Santo Amaro, que deu nome à região; e ainda é o centro de confluência da população.

Em Maio de 1888, após a proclamação festiva da abolição da escravatura, pela nossa Princesa Isabel, a Câmara Municipal deu, ao Largo da Matriz, em deliberação, no dia 9 de Julho de 1888, o nome de: Largo 13 de Maio, que o povo simplificou: Largo 13.

É o nosso Largo, símbolo da Liberdade, símbolo da região, símbolo de Santo Amaro. Merece melhor tratamento urbanístico… Merece mais grandeza.

Efetivamente, o dia 13 de Maio é a data em que a liberdade se engalanou.

Abolida a escravidão, os negros, ainda escravos, adquiriram os direitos de cidadãos livres. Brancos e negros celebraram o acontecimento.

Todos se reuniram, em solene Missa Campal, com um festivo “Te Deum” de Ação de Graças, estando presente a Princesa Isabel.

Pedro II estava fora do país…

Passamos a ser uma nação de gente, de pessoas livres, embora a Abolição não tenha sido completada…

As pessoas foram abandonadas à própria sorte, sem educação e com parcas oportunidades… A República abandonou os projetos da Monarquia, que poderiam criar melhores condições de cidadania, efetiva para todos, sem excluídos. Enfim, por algumas anomalias, muitos dos ex-escravos, agora pessoas livres, ficaram à deriva, numa sociedade de políticas públicas precárias do novo regime. Muitos foram contratados nas empresas, em trabalho assalariado, e continuaram a vida normalmente, em melhores condições; outros, talvez por não terem estímulo e nem força, para reorganizar a própria vida, resvalaram para a lastimável exclusão social….

Santo Amaro tinha muitos abolicionistas convictos.

Em Santo Amaro, a senhora Isabel Alves Pereira, a nossa redentora dos escravos, quase 50 anos antes, já tinha dado a liberdade incondicional, (liberdade, terras para cultivar e trabalhar) a 49 escravos e, anteriormente, deu a liberdade a três crianças no ato do batismo.

Portanto, libertou 52 escravos, provendo-os de terras para a sua sobrevivência.

Outros fizeram o mesmo, como consta no Cartório de Santo Amaro.

Então a Abolição da Escravatura chegou antes a Santo Amaro, para gáudio de todos.

Outros já haviam tomado atitudes idênticas, pelo Brasil a fora…

Muitas outras regiões do Brasil também se anteciparam à proclamação da abolição.

A queda do Império, em 1889, truncou o grande processo de “libertação”, que não foi concluído.

Está em tempo de alguém pensar que há muitas outras formas de escravidão, além da escravização física e cívica. Há a escravidão política, ética, mental e espiritual, e talvez outras mais, que muitas vezes nos passam desapercebidas e a quase ninguém despertam preocupação; talvez por serem menos visíveis; mas não são menos deletérias, menos desagregadoras da pessoa e da sociedade… Alguma vigilância a mais não faz mal a ninguém, e pode fazer muito bem!

O Largo 13 é uma referência nacional e mundial pelas manifestações populares de que foi palco, atraindo gente de toda a São Paulo, na mobilização nacional, com foco na Revolução de 1964.

A Catedral de Santo Amaro/Largo 13 é ponto de referência do marco zero do Santo Amaro Histórico, que envolvia toda a Zona Sul, a partir da atual Av. dos Bandeirantes.

O lugar certo do Marco Zero é o Largo 13.

O Largo 13 de Maio e circunvizinhanças é onde mais se concentra o povo que passa pela região.

Ali, bem perto, está o ponto de encontro/entroncamento das linhas de metrô-ônibus e CPTM (trem). – É a Estação Largo 13.

Pelo Largo 13, e circunvizinhanças, passam, diariamente, mais de um milhão de pessoas, segundo consta.

Conforme se lê em declaração do Pe. João de Pontes, nosso primeiro Vigário, a Igreja Matriz dispunha de amplo espaço, à frente, dos lados e atrás do templo, hoje reduzido e apertado, para passagem da Alameda Santo Amaro e Avenida Pe. José Maria.

O Largo 13, a Praça da Sé Catedral, também era terreno da Igreja.

A partir de informações fidedignas do Pe. João de Pontes, de 1730, todo o Largo 13 de Maio era área do Cemitério da Igreja. Este ocupava 33 metros lineares de cada lado da Igreja, mais 36 metros à frente e outro tanto atrás da Igreja, na sua configuração, anterior à reforma do templo, terminada em 1924. (*). No Capítulo 28 desta obra, Cemitério, há outras informações, complementares ao que aqui expusemos.

A bem da comunidade, a administração da igreja e a Prefeitura sempre se entenderam bem, nesta questão de uso do espaço do Largo 13.

Após acordos entre a Igreja e a Prefeitura, a área do templo foi sendo reduzida, com prejuízo para a comunidade… (!).

Aqui ainda consideramos o Largo 13 como fazendo parte do Complexo da Catedral, como de fato é, embora seja área pública ou particular.

Destacamos a Lei (Municipal) n. 3551/1936, que desapropria terrenos e unifica toda a área, em torno da Catedral, à frente, à direita e à esquerda, sob uma única denominação: Largo 13 de Maio. (Extinguiu, assim, a antiga Praça Antônio Cândido Rodrigues).

Pensamos que é urgente a nomeação de uma comissão específica para rever os espaços externos da Catedral, a partir do documento do Pe. João de Pontes, visando um melhor e mais justo acordo entre a Diocese e a Prefeitura, sem prejuízo para a comunidade.

Sendo o entorno da antiga Igreja Matriz de Santo Amaro utilizado como cemitério, voltamos a tratar desta questão no Capítulo 28 desta obra. Consulte-o.

Enfim, o Largo 13 de Maio é uma grande e vital referência cultural e cívica:

– É símbolo da matriz; o Largo da Matriz; a nossa Praça da Sé;

– é símbolo de liberdade;

– é símbolo de um povo, amante da liberdade responsável, avesso a qualquer abuso à dignidade humana;

– é símbolo de um povo trabalhador e empreendedor…;

– é simbólico ponto de encontro da comunidade, de toda a região da cidade e do sertão

Largo 13 é uma das marcas-símbolo de Santo Amaro: da Zona Sul de São Paulo.

O marco zero de Santo Amaro não foi abolido após a perda de autonomia, e da consequente anexação a São Paulo.

O marco zero lembra, a todos, que Santo Amaro, a Grande Santo Amaro, a partir da Av. Bandeirantes, é um espaço muito especial do município de São Paulo: é o nosso Bairro-Cidade.

Penso que o Marco Zero, com a Catedral e a estátua monumental de Borba Gato, são os três ícones fundamentais mais marcantes de Santo Amaro, sem diminuir os nossos outros ícones…

O nosso Marco Zero é um espaço de cidadania adequada para ser local de eventos.

____________________

(*) – Esta informação está em documento original, descoberta pela Profª Inez G. Peralta, no Arquivo da Cúria Diocesana de São Paulo, no Ipiranga.

Nota: Em adendo a este Capítulo, propomos que seja estudado, em nível de Câmara Municipal, uma proposta de declarar Santo Amaro como Bairro-Cidade, como título honorífico e como alguma compensação, por ter pedido a autonomia administrativa ao ser anexado a São Paulo, em 1935, além de outras perdas político-sociais.

 

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