Júlio Guerra

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JÚLIO GUERRA, O MESTRE
– Escultor e Pintor –

Júlio Guerra nasceu em Santo Amaro (20/01/1912).
Morreu também em Santo Amaro (21/01/2001), com 89 anos.
Produziu uma obra de arte, que o imortaliza, entre os grandes artistas de Santo Amaro, de São Paulo e do Brasil.
Algumas de suas obras perpetuam sua obra para a eternidade, para além do tempo e do espaço.
Júlio Guerra foi um grande cultor de sua terra e de sua gente.
Desenvolveu temas monumentais que realçam a identidade nacional.
Desenvolveu imagens telúricas exaltando sua gente e seus heróis.
Trabalhou também temas gerais. Fez uma obra universal.
Foi um grande brasileiro, um grande Santamarense.
É um imortal, por sua suntuosa arte.

Sua obra distribui-se em três temáticas básicas:
1- Grandes Ícones Nacionais: os Bandeirantes, a Mãe Preta; Iguatinga.
2- Ícones Religiosos: São Paulo; Jesus e Maria; S. Pedro; Santana; Madalena e Jesus; Imaculada, etc.
3- Festas, Tradições, Paisagens e Tipos Populares.
4- Históricos: Painéis; Pe. Belchior Pontes.
Predominou o aspecto telúrico, em perspectiva universalista.

1. Estátua do Borba Gato.
Exaltou a monumental epopeia dos Bandeirantes, descobridores e povoadores dos nossos sertões, alargando o seu território.
Neste tema destaca-se a gigantesca estátua de Borba Gato, (exposta na Praça Augusto Tortorelo de Araújo).
Borba Gato foi grande sertanista e Bandeirante, companheiro desta grande epopeia nacional, ao lado de outros três gigantes de nossa História: Raposo Tavares, Fernão Dias Pais, o Anhanguera, etc.
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A estátua de Borba Gato, tem 10 metros de altura, mais 3 metros de pedestal.
Por suas dimensões colossais, em certo sentido, equipara-se a outro colosso, de Victor Brecheret: O Monumento às Bandeiras, exposto no Parque do Ibirapuera.
A obra de Brecheret, no entanto, ocupa um espaço muito maior. É o maior monumento de São Paulo.
O nosso Borba Gato poderia ser considerado “o Colosso de Santo Amaro”.
As duas obras gigantescas são dignas da epopeia dos Bandeirantes, que marcaram, para sempre, a grandeza épica, na História do Brasil, juntando a outros feitos épicos.
Os que desdenham da estátua de Borba Gato, de Júlio Guerra, apenas revelam seu espírito desinformado, inculto, medíocre, sectário e persecutório, com algo de inquisitorial extemporâneo.
O Borba Gato é a grandiosa marca de Santo Amaro.
O Borba Gato é o guardião e inspirador da Cidade-Bairro de Santo Amaro.

2. A Mãe Preta.
A Mãe Preta, é outra obra emblemática, magnífica e eterna de Júlio Guerra.
Foi feita para as comemorações do Quarto Centenário de São Paulo, 1954.
Esta estátua simboliza a integração de raças, de um país multirracial, miscigenado e pacífico. É uma estátua bela e sem complexos. Tem grandeza eterna.
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A Mãe Preta é um signo sagrado, para as pessoas de raça negra, que a veneram e lhe trazem oferendas. É signo sagrado também para as pessoas brancas, cidadãos solidários e agradecidos. Glória à honrosa comunidade morena de São Paulo.
Sempre há flores, nesta estátua. Flores são carinho.
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É venerada como santa.
A Mãe Preta, no Brasil, amamentava os próprios filhos e também os filhos dos brancos. Assim consolidou a miscigenação cultural, num país multirracial.
Mãe Preta é, certamente, um ícone sagrado da cultura brasileira.
Condiz com a nobre, digna e lúcida interpretação de Gilberto Freire.
Esta estátua está exposta no Largo do Paissandu, próximo à Igreja do Rosário dos Negros, na cidade de São Paulo, zona central.

3. Outros Monumentos.
Merecem grande destaque duas figuras, em bronze, expostas no Cemitério de Santo Amaro:
3. 1. Estátua de Jesus Cristo e Maria, sua Mãe, exposta no túmulo da Família Lameira (propriedade particular). Rara beleza mística.
É um conjunto em bronze, de grande leveza, expressividade e sensibilidade humana.
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3. 2. Jesus Cristo e Maria Madalena.
Conjunto em bronze, exposto no túmulo de Família Schmidt, no Cemitério de Santo Amaro (propriedade particular). Rara beleza mística.
Figura reveladora de grande emoção e grandeza, figurada no sofrimento.

4. A estátua de São Paulo, o Apóstolo, exposto no Largo de Los Andes, em São Paulo, em frente ao Shopping Morumbi, na Cidade de São Paulo.
Na placa do pedestal está escrito:
Placa 1: “São Paulo – Tecelão, Apóstolo Cristão”.
Placa 2: “A Espada e o Livro – Símbolo da sua Missão – A Lei”.
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5. Lembramos a estátua de S. Pedro (homenagem a Aleijadinho), exposta na Praça Amadeu Amaral, em S. Paulo.

6. Lembramos as estátuas de Santana e Maria Menina e São José, expostas na Igreja Nª Srª do Brasil, na parte exterior; e também a Imaculada Conceição, exposta na capela da Santa Casa de Misericórdia de Santo Amaro (propriedade particular).
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7. Lembramos ainda os quatro painéis, sobre a História de Santo Amaro, expostos em bloco, próximo à estátua de Borba Gato.

8. Júlio Guerra preparou outras estátuas de Bandeirantes, em tamanho pequeno.

9. Destaque especial para o Monumento aos Romeiros, exposto em frente à casa de Cultura de Santo Amaro, ex Mercado Municipal, na Praça Francisco Ferreira Lopes, esquina com Avenida João Dias. Deste falaremos adiante.
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10. Homenagem às Artes.
Este é um grande mural, exposto em frente ao Teatro Paulo Eiró, Avenida Adolfo Pinheiro, 765. É composto de mosaicos e relevos.

11. Ícones Populares. Três Modalidades Temáticas.
Além de cultivar (1) ícones nacionais, como o Bandeirante Borba Gato e a Mãe Preta, e (2) ícones religiosos Cristãos, como São Paulo, São Pedro, Jesus Cristo e Maria, sua Mãe, Jesus e Madalena, Santa Ana e Maria, São José e também S. Francisco, etc., Júlio Guerra dedicou-se ao cultivo de (3) figuras, festas e tradições populares e figuras históricas.

Nesta terceira modalidade temática, Júlio Guerra debruça-se, com imenso carinho, pela temática telúrica popular, pelo rústico, pela vida do povo real, pela identidade real e natural do povo brasileiro, por sua dimensão rural, que foi universal, até a grande “revolução” das décadas de 50 e 60 e seguintes, mas se mantém viva.

Vejamos alguns exemplos de sua obra, no âmbito da temática das tradições populares:

12. Monumento aos Romeiros. Romaria a Pirapora do Bom Jesus.
Esta foi uma grande manifestação religiosa popular, que mobilizava muitos milhares de romeiros, de Santo Amaro, por muitos anos.
Os romeiros iam à pé, em carros de boi, a cavalo, de bicicleta, de moto, de caminhão, de automóvel, etc., para visitar o Santuário do Bom Jesus de Pirapora.
Júlio Guerra imortalizou esta tradição popular, no monumento que se encontra na Praça do Centro Cultural, Praça Francisco Ferreira Lopes, esquina com a Avenida João Dias.

13. De temática popular são a maioria de seus quadros, e suas pinturas.
Nestes, Júlio Guerra dá destaque a paisagens Santoamarenses, Igrejas, etc.
Entre as manifestações da religiosidade popular, destaca-se a Festa do Divino e outras paisagens de Santo Amaro antigo.

14. Outras Obras em Destaque:
– Barbeiro Anedes; Caipira de Botina Amarela; Homenagem à Siderurgia; Imaculada Conceição; Santana e Maria menina; São José.
Acrescentamos algumas estatuetas:
São Francisco; Borba Gato, em bronze; Figura de Mulher I (A Grega); Homenagem a Gomide; Casal de Camponeses; Menina Moça; Idílio; Etrusca; Figura de Mulher II; Maternidade de Ouro Preto; Bailarina; Estudo sobre Gomide; Espanhola; Maternidade II; Evolução; Estudo de Atleta Pequeno; Mãe e Filho, sem título; Mulher se enfeitando; Mulher se penteando; etc.

15. Notas Biográficas (Sumário):
● Júlio Guerra nasceu no dia 20.01.1912; morreu em 21.01.2001.
● Nasceu e morreu em Santo Amaro.
● Júlio Guerra estudou na Escola de Artes e Ofícios, de São Paulo.
● Foi companheiro de Victor Brecheret em alguns trabalhos.
● Sua obra enquadra-se entre os modernistas brasileiros.
● É considerado um Modernista marginal, talvez impropriamente.
● Foi premiado desde 1939.
● Viajou pela América Latina, Europa e Brasil.
● Expôs em Portugal e na Argentina.
● Suas obras mais polêmicas são: Borba Gato e São Paulo.
● Após o monumento aos Romeiros de Pirapora, dedicou-se mais à pintura.
● As esculturas de Júlio Guerra estão sempre presentes, em reiteradas exposições.
● Na vida de Júlio Guerra, destacamos:
Participou da Bienal de São Paulo, da 1ª a 6ª edição, (ausente na 4ª edição).
De 1939 a 1966, sua biografia registra o recebimento de 14 (quatorze) prêmios.

HOMENAGEM A JÚLIO GUERRA
– Valor de Sua Obra –

I- Modernista Genuíno, em nova dimensão

Aqui prestamos a Júlio Guerra
uma homenagem bem merecida.

1. Júlio Guerra é um artista de grande valor, acima de qualquer suspeita.
O artista genial, simples, popular. Um artista imortal, por sua obra exemplar.
Ainda que criticado e ofendido, por seu pendor para as coisas do povo, para a linguagem da arte, fiel à linguagem do povo, e pela tendência a colocar, na tela ou nas esculturas, tradições e material popular, ele seguia o seu caminho, certo de que seu valor original seria reconhecido, por seu aspecto inovador, criativo e telúrico.
Pela linguagem dos materiais e pelo temário escolhido, Júlio Guerra foi um artista revolucionário, digno de todo o respeito. Foi muito além dos cânones do Modernismo rígido.
Quis ser genuinamente fiel a seu povo e a seus valores.
As críticas que recebe nada o diminuem, antes o exaltam.
Fez obra de convicção e não obra para o mercado ignaro.
Sua obra tem valores cívicos.
Fez uma obra prazerosa e não uma obra comercial. Nunca foi mercenário.
Júlio Guerra jamais será esquecido por seu povo, que ele tanto honrou, em toda a sua vida e obra.

2. Júlio Guerra foi criticado e injustiçado pelo que ele tinha de mais genial, de mais original: o cultivo dos costumes e tradições de seu povo, por sua dimensão telúrica, isto é, pela influência que sua terra, Santo Amaro, e as tradições populares, tiveram no temário de sua obra, e no material escolhido, para algumas de suas estátuas e para suas pinturas.
Desdenham de Júlio Guerra as pessoas mal formadas, limitadas, e de espírito inquisitorial, que injuriam as pessoas que se aproximam dos valores de seu país e não imitam os padrões estrangeiros da moda, ou por ideologias oportunistas.
É moderno, porque é de todos os tempos; porque é de seu tempo.

3. O sr. Júlio Guerra fez algumas obras-primas geniais e inovadoras que merecem maior atenção dos estudiosos, da academia e da sociedade.
Júlio Guerra foi uma pessoa original e autêntica, liberto das tendências da moda, no Brasil e no exterior.
Vinculou-se ao seu povo, e por isso foi contestado, com argumentos inconsistentes.
Júlio foi um modernista convicto, na modernidade autêntica, voltada para a cultura de raiz.
Não foi modernista marginal, como afirmam alguns.
Foi um artista de seu tempo e de todos os tempos.

II- A Estátua Gigante de Borba Gato

1. O Borba Gato, de Júlio Guerra, (de 1962), é o mais grandioso monumento de Santo Amaro e um dos monumentos mais marcantes de São Paulo.
É o mais espetacular Cartão Postal da Zona Sul de São Paulo.
Assim é também o Monumento às Bandeiras, de Brecheret.
É um dos mais destacados e admirados Cartões Postais de São Paulo. É uma monumental alegoria. Um brilhante desafio.
O seu Borba Gato posiciona-se, como uma sentinela atenta, logo à entrada de Santo Amaro, que, ao tempo, ainda era Município autônomo.
Júlio Guerra trabalhou por seis longos anos, na construção do Monumental Borba Gato, com quatro ajudantes.
As dimensões do “Borba Gato” refletem o gigantismo extraordinário da obra cívica dos Bandeirantes, considerados “Raça de Gigantes”, na expressão certeira do historiador, Alfredo Éllis, da USP.
O Borba Gato, de Júlio Guerra, é símbolo de grandeza, de ousadia e de empreendedorismo.
É o mais notável ponto de referência de Santo Amaro.
É a marca do orgulho nobre da gente Santamarense.

2. Não quis fazer o seu Bandeirante de bronze, como se faria na Europa.
O bronze foi substituído por barro, concreto e gesso, cobertos com pastilhas coloridas, que fez de pedras que quebrou e poliu, uma a uma.
Quis fazer uma obra, com alguma similaridade de materiais, ao que é utilizado no Nordeste, de onde se origina a maioria do povo de Santo Amaro, e de toda a periferia de São Paulo.
Assim, tendo um aspecto popular, tem inclusa uma homenagem aos Nordestinos que constroem São Paulo. Honra os Nordestinos e seus descendentes que são a maioria étnica de Santo Amaro e de São Paulo.
Isto é muito digno do artista que respeita e ama seu povo e sua terra. Ama a todos, sem excluir o povo mais simples.
Sua arte dialoga com toda a gente: dialoga com o povo e com a elite…
A segurança estrutural da gigantesca estátua é feito por trilhos de bonde, que garantem a espinha dorsal da estátua.

A estátua gigante, o Bandeirante Borba Gato, tem 13 metros de altura, incluindo o pedestal, e pesa 20 toneladas.
No Borba Gato, Júlio Guerra homenageia a Santo Amaro, que é terra de Bandeirantes, que são antepassados de muitos, inclusive do escultor.

3. Penso que podemos destacar as 7 obras-primas de Júlio Guerra:
Estátuas: Mãe Preta; Borba Gato; Jesus e sua Mãe; S. Paulo, Tecelão e Apóstolo Cristão; Santana e Maria Menina; Mãe e Filho (estátua sem título de 67 cm. de altura, em gesso); Pintura: Festa do Divino.
Diante das obras de Júlio Guerra, ninguém fica indiferente.
Júlio Guerra é um dos 10 personagens mais destacados da História de Santo Amaro.
É uma celebridade digna de todo o respeito. Deve ser honrado por todos, por sua obra artística. Digna da atenção de jovens e adultos.
Júlio Guerra sempre estará ao lado dos Gênios da Escultura e da Pintura, em São Paulo e no Brasil.
Júlio Guerra deve ser considerado uma das personalidades-símbolo de Santo Amaro, ao lado do poeta Paulo Eiró e de outros.

Júlio Guerra, por sua obra e por seu caráter, merece de seu povo, de Santo Amaro e de São Paulo, um monumento à altura de seu trabalho, de sua genialidade e de seu amor à sua terra e a seu povo.
Seu nome será lembrado para sempre, no coração do povo agradecido.

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