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Catedral de Santo Amaro

Base Histórica

Neste Capítulo falamos de um dos espaços mais emblemáticos de Santo Amaro (SP):

Falamos da atual Catedral de Santo Amaro, que foi a nossa acolhedora Igreja Matriz, por algumas centenas de anos; que começou no séc. XVII (após 1607, com a inauguração da fábrica de ferro), surgiu como uma simples e pobre ermida, na margem esquerda do rio. posteriormente foi transferida no alto de uma colina, como veremos adiante.

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Fig. 79 – Em torno de uma simples ermida.

Assim começou a cidade.

Foi uma das primeiras igrejas do Brasil, e também uma das primeiras Paróquias. Data da criação da paróquia pelo Bispo Dom Alarcão: 14/01/1686.

É prazeroso falar da Catedral de Santo Amaro, um templo de muita beleza. Espaço de recolhimento, de oração e de enlevo. Um espaço de encontro e de confraternização da Comunidade.

Esta é a Igreja mais icônica da Zona Sul de São Paulo, de nossa nobre cidade-bairro.

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Fig. 80 – Imagem de Santo Amaro, doada pelo casal João Paes e Suzana Rodrigues.

Nossa Catedral é um repositório das mais ricas tradições de Santo Amaro.

É um polo aglutinante da sociedade.

A Igreja, o templo Cristão é o grande estímulo e aglutinador da comunidade, porque aí é o oásis da sociedade; é um espaço de paz, de esperança e dignidade; é um espaço de vida, de encontro e de confraternização entre irmãos; é um espaço de fé e de cordialidade; um espaço de louvor, de meditação e de oração; um espaço de  gratidão, de ação de graças e de perdão…

É um espaço da Palavra de Deus.

  1. A Igreja Catedral de Santo Amaro é a igreja mãe da região: a Matriz; hoje a Catedral da diocese. A anterior, igreja da Conceição, foi extinta com a mudança da população.

Santo Amaro foi a segunda Paróquia (14.01.1686), da atual Cidade de São Paulo e a décima quarta Paróquia do Estado de S. Paulo.

Santo Amaro foi uma população que prosperou. Situava-se à distância de um dia de viagem a pé, distante de São Paulo/Santo Amaro. Legou-nos ricas tradições, de que precisamos saber usufruir.

2. A Catedral de Santo Amaro é um espaço admirável, cheio de luz e de belas recordações, desde os primórdios da chegada da Civilização Cristã, no início do séc. XVI.

É testemunho do encontro cordial dos portugueses e dos indígenas, a que vieram se juntar os negros. Daí resultaria a aliança de sangue, entre povos diferentes, que novo povo gerou.

Na Catedral se encontra uma réplica fiel da estátua de Santo Amaro, trazida de Portugal, segundo conta a tradição, pelo casal fundador do pequeno templo primitivo, no séc. XVI, construído em terras doadas pelo mesmo casal João Paes e Suzana Rodrigues, na primeira metade do séc. XVII (após 1607).

Por ser uma relíquia, de valor histórico inestimável, a imagem original, de Santo Amaro, vinda de Portugal, está bem guardada, para preservá-la para a posteridade.  Consta que a doação da imagem e do terreno foi uma obra de ação de graças do casal fundador, por se ter salvo de um naufrágio, na sua viagem para o Brasil.

Santo Amaro, Abade, nosso Padroeiro, é um ícone de proteção ao povo e à família. É o protetor da agricultura, que garantia a sobrevivência alimentar da comunidade.

É uma mensagem viva; uma mensagem do Evangelho, apontando o caminho do bem-estar, do bem-viver e do bem-querer.

3. A igreja primitiva da região, anterior à de Santo Amaro, Abade, foi Igreja de Nossa Senhora da Conceição do Ibirapuera, erigida, pelos jesuítas (1554) na margem esquerda do Rio Jurubatuba, perto da atual Ponte João Dias, no atual Jardim São Luiz. Uma simples ermida, de pau-a-pique.

Este foi o primeiro templo Cristão da Zona Sul de São Paulo. Mais tarde foi construída, pela comunidade, na mesma região, uma nova capela, dedicada a Santo Amaro.

Aí, foi criada a paróquia de Santo Amaro (1686), depois transferida para a margem direita do rio, onde hoje está, após a consolidação do caminho por terra, para São Paulo.

A primeira Igreja-escola foi construída pelos Jesuítas que o Pe. Nóbrega mandou para cá, ainda em 1554, após a inauguração do Colégio e Igreja São Paulo, em Piratininga, em 25/01/1554.

Segundo carta escrita por Anchieta, por ordem de Nóbrega, para cá, (Jurubatuba), vieram quatro Jesuítas comandados pelo Pe. Luis da Grã, o que comprova o destaque desta região, já na ocasião.

Então insistimos: a igreja-mãe de todas as igrejas, na parte sul de São Paulo, é a Capela

Na. Sra. da Conceição, erigida pelos jesuítas, construída na margem esquerda do rio Jurubatuba.  Posteriormente, aí foi erigida, pela comunidade, outra igreja, dedicada a Santo Amaro.  Transformada em paróquia (1686), a nova igreja foi depois transferida, para a margem direita do rio, após a consolidação do caminho, por terra, para São Paulo. Veio para o local onde ainda hoje está. Hoje esta igreja tem o título de Catedral da Diocese local.

As duas igrejas, após a mudança da comunidade, para a margem direita do rio, acabaram desaparecendo, com o tempo. Posteriormente, na mesma região, foi construída a capela de Na. Sra. da Penha, a Penhinha, que foi destruída, no final do séc. XX.

Aí está hoje o magnífico templo da Paróquia de São Luis Gonzaga, construída sob a liderança do Pe. Edmundo da Mata.

Então a igreja-mãe da zona sul de São Paulo é a igreja da Conceição, já desaparecida.

Entre as igrejas existentes, a igreja-mãe é a Catedral de Santo Amaro.

  1. Na região foi construída a primeira fábrica de fundição de ferro do Brasil (1607). Chamou-se Fábrica de Ferro N. S. da Assunção, que faliu em 1628, com imensos prejuízos para a comunidade e para o Brasil.

Esta é também uma marca de Santo Amaro: o pioneirismo da siderurgia nas Américas, segundo Sérgio B. de Holanda.

O nome primitivo da região era Ibirapuera ou Virapuera.
Nossa região foi também chamada: Santo Amaro de Ibirapuera.

Existia, então, o Caminho de Virapuera, finalmente denominado Caminho de Santo Amaro, pela popularidade do novo santo e do novo templo, mais bem centralizado, nas terras doadas por João Pais, Suzana e família.

João Pais e Suzana passaram à história, como gente benemérita, benfeitores da região; gente generosa, cordial, participativa e altruísta.
No entanto é uma história com muitas lacunas.
Seus nomes o povo não esqueceu.
Suzana é nome de Rua e Praça, no Centro Histórico. João Pais é nome de Rua, além do Centro.

  1. Falta-nos um quadro ou uma estátua celebrando o casal, a família João e Suzana.

Temos a figura do casal, em pedras polidas, de Júlio Guerra, no mural do monumento a Borba Gato.
É incerta a data de construção da primeira capelinha de Santo Amaro.
Fala-se em 1560, como data mais provável, por ocasião da doação da Sesmaria. É razoável

“Não há dúvida de que a Capela de Santo Amaro já existia quando foi instalada a fábrica de ferro, em 1607”, afirma o historiador Sérgio Buarque de Holanda (Op. cit., pág. 410). O mesmo historiador afirma que “em 1628 já se faziam romarias à Capela de Santo Amaro”.
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Fig. 82 – Painel na estátua de Borba Gato, de Júlio Guerra.
Foto: JP

  1. Como Fernão Dias Pais reformou o Convento de São Bento, no Centro da cidade de São Paulo, no séc. XVII, aqui o mérito coube a João e Suzana. Mais tarde (1895), Dª Benta Vieira dará o terreno, em que foi construída a Santa Casa de Misericórdia.

O brasileiro tem espírito altruísta. É solidário no bem; solidário por convicção e por tradição.

O que se dá à Igreja é de todos, a serviço de quem precisa.
Nossa gente dispõe de sua propriedade a serviço da comunidade.
Atitudes que estão na tradicional generosidade do sangue cultural da gente da estirpe portuguesa, um espírito cordial. Espírito comunitário e de desprendimento.
Doações para obras da comunidade são costumeiras, em nossa gente.

  1. Na região da Penhinha, João Dias de Oliveira fundou a fábrica “Curtume Dias”, que teve muito sucesso, no séc. XIX e XX, sendo um dos pioneiros da nossa moderna industrialização.

João Dias foi uma pessoa benemérita.
Foi um dos fundadores da Santa Casa e seu Provedor, e tesoureiro. Trabalho Voluntário.
Os sinos da Capela da Penhinha foi ele quem os financiou.
A maioria dos vitrais da Igreja de Santo Amaro foi João Dias que os doou à comunidade.
Foi homenageado com o seu nome na Av. João Dias.

(Veja mais: Pioneiros de Santo Amaro-São Paulo, Cap. 50).

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Fig. 83 – Igrejinha da Penhinha ( N.S. Penha) Erguida na região do Ibirapuera, depois de São Luiz.

  1. Enfim, proclamamos, com toda a segurança e sinceridade:

A Igreja-Catedral de Santo Amaro tem uma história viva; tem muitos encantos; convida à meditação, à oração e ao louvor.
Nossa Catedral, na história e na sua configuração atual, tem muita poesia e muita beleza, que aí se perpetuam.
A poesia da Catedral está na vida e na simpatia que lhe dá vida, desde os primórdios da construção do Brasil.
De uma simples Ermida, a esplendorosa Catedral, tem uma história exemplar.

Deus está aqui!

A poesia da Catedral está nas paredes e pedras do templo; está nas suas imagens; está nas pinturas e nos vitrais; está no coração do povo de Deus, que aí se reúne…
A Catedral de Santo Amaro é um espaço de alegria, amado por Deus; é um templo abençoado.

O dedo de Deus está aqui!

A NOVA MATRIZ

1.

CAPELA.

A Igreja de Santo Amaro foi elevada a Igreja Curada, ou Paróquia (14/1/1686), pelo Bispo, Dom José de Barros Alarcão, Bispo do Rio de Janeiro, cuja Diocese compreendia São Paulo e o sul e oeste do Brasil, além do Rio de Janeiro, onde era a sede.

O primeiro Pároco foi o Pe. João de Pontes, irmão do conhecidíssimo e bem-aventurado Pe. Belchior de Pontes.

O Pe. Belchior de Pontes é venerado, por toda a região, até hoje.

OS SINOS DA MATRIZ.

A antiga Igreja de Santo Amaro tinha três sinos na torre, que tocavam, para chamar o povo para as celebrações, e para a oração, nas horas da Ave Maria.

O som límpido dos sinos de bronze ressoava pelas colinas, pelos vales e pelas campinas, levando alegria a toda a gente.

Os sinos foram oferecidos por Bellarmino Dias da Silva, Isaías Branco de Araújo e alguns fieis de Santo Amaro, em 1923.

Os sinos da Matriz me lembram o poema sentido de Fernando Pessoa, que ainda nos encanta:

“Ó sino da minha aldeia,
dolente na tarde calma,
cada tua badalada
soa dentro de minha alma.
E é tão lento o teu soar,
tão como triste da vida,
que já a primeira pancada
tem o som de repetida.
Por mais que tanjas perto
quando passo, sempre errante,
És para mim como um sonho.
Soas-me na alma distante.
A cada pancada tua,
vibrante no céu aberto,
sinto mais longe o passado,
sinto a saudade mais perto”.

Para pagar dívidas da reconstrução, um Vigário vendeu dois sinos do templo, deixando o povo muito triste.
Recentemente (2013), outros dois sinos foram comprados.
A Catedral conta, novamente, com seus três sinos, para alegria da comunidade, e louvor ao Senhor!

II

CATEDRAL DE SANTO AMARO

Dimensões do Templo e da área externa:

2.1. Altura da torre: 30 metros.

Cruz: 2 metros de altura.

Galo: 80 centímetros de altura e igual de comprimento.

Externamente o templo mede:

– 19 metros de frente;
– 42,80 metros da frente ao fundo.

Nave Central: 9,6 metros por 26 de comprimento.
Laterais: 4,25 metros de largura por 23,70 de comprimento.
Presbitério, do Arco Cruzeiro à base do Altar-Mor: 4,35 metros, por 7,20 metros de largura.

2.2. A Igreja Matriz/Catedral tinha uma ampla área, em seu entorno.

Era o Largo da Igreja, onde o povo se reunia para conversar, e onde os rapazes e as moças se conheciam mutuamente e naturalmente. Alguns aí conheciam seu par, a futura companheira, da vida inteira.

Aí se iniciavam muitas famílias…
O Largo da Igreja era o espaço do povo.
Aí se realizavam as festas, tais como as Festas do Divino, festas populares.

Nesta foto é possível demarcar os limites de espaço do entorno da igreja, uma área superior a oito mil metros quadrados (8.000m2), segundo informa o primeiro vigário.

Até 1857, (Janeiro), o Cemitério ocupava todo o entorno da Igreja. Ocupava ampla área, à frente, atrás e nas duas laterais.

2.3. O Terreno da Igreja.

Segundo informação do Pe. João de Pontes (1730), primeiro Vigário, o Cemitério tinha as seguintes dimensões: 36 m. (18 braças) de largura à frente e 36 m. atrás da Igreja; mais 33 m. de largura, nas duas laterais: 33 m. (15, 5 braças) à direita e 33 m. (15, 5 braças) à esquerda. (Cada braça mede 2, 2 metros).

O templo da Igreja de Santo Amaro, atual, possui as seguintes dimensões:

Comprimento: 42, 80 m.; Largura: 19 m. (Antes da reforma, tinha apenas 26 m. de comprimento).

Acrescentada a área externa, ocupada pelo cemitério, o terreno total, prédio e áreas livres, tinha as seguintes dimensões, aproximadas:

Comprimento: 98 m., (26, 0 + 36 + 36); Largura (19 + 33 + 33): 85 m., ou seja: 8.330 m2, aproximadamente. Era uma área retangular de 98 x 85 m.

Estas são as medidas, aproximadas, do terreno ocupado pela Igreja de Santo Amaro, no seu início, segundo as informações prestadas pelo Vigário da Paróquia, Pe. João de Pontes, em 1730, conforme texto que segue, adiante, encontrado na cúria diocesana de São Paulo, pela Prof. Inez Peralta.

2.4. Para o povo de Santo Amaro, aconteça o que acontecer, o Largo 13 de Maio, que envolve todo o entorno da igreja, à frente, atrás e dos lados, sempre há de ser a nossa Praça da Catedral da Sé, como foi, por quatro séculos, a praça da Matriz, desde 1560. É uma questão histórica de valor permanente. É de praxe.

O que seria de se negociar entre a Igreja e a Prefeitura, seria o cancelamento da última desapropriação, quando a Prefeitura assumiu o espaço que hoje é estacionamento, visto que estão superados os motivos da desapropriação.

Assim é tratada a Praça da Sé, no centro de São Paulo.  A praça da Catedral de Santo Amaro, tal como foi demarcada, em 1936, mantém, quase intacta, a área de que nos fala o Pe. João de Pontes, o nosso primeiro vigário, totalizando, aproximadamente, 8.000 m2 (1730).

Observe o documento do Pe. João de Pontes:

Aos vinte, e quatro de Dezembro do Anno de mil e Sete centos e trinta; com Licença do Illmo. Sr. Bispo D. Antonio de Guadalupe; Benzi, conforme dispoem o Ritual Romano, a nova Igreja Parochial da Freguezia do Gloriozo S. Amaro, provida de paramentos das quatro Cores, de q’ uza a Igreja, com Pedra de Ara, Pia Baptismal, e com todas as mais alfayas neceSsarias. E aos vinte, e Seis de Agosto do Anno de de [sic] mil, e Sete centos, e trinta, e Hum; benzi na fórma do Ritual Romano, o Adro pª. Cemeterio, que tem da porta da Igreja, dezoito braças; peLos lados, quinze braças, e meã, e Remata com outras dezoito braças na fronteyra da Igreja; nas quatro quinas, fica demarcado, Com quatro pedras, nellas, soterradas. E pª. a todo tempo constar; lancei no Livro da Fabrica da meSma Igreja. S. Amaro. Sete de Dezembro do Anno de mil’, e Sete Centos, e trinta, e Hum.                                           

João de Pontes

Hoje, os espaços exteriores da Catedral estão muito reduzidos, em função de acordos entre a Igreja, a Prefeitura e particulares.

Este ponto merece pesquisas mais amplas, para saber como tudo aconteceu, se é que tal pesquisa interessa a alguém…

É de lastimar a redução do espaço de encontros da comunidade.

Os “antigos”, neste caso, tinham uma visão mais aberta, em termos de espaços livres, para a comunidade.

A Praça ou Largo da Matriz era marca fundamental

figura 89

Fig. 89 – Relógio da Catedral.

 

  1. 4. O relógio da Matriz foi doado por Manuel Antônio Borba e ainda funciona. Foi inaugurado em 5/8/1895.
  2. A nova Matriz, atual, foi construída em três etapas:
  • A fachada principal, a torre e o coro, sob o comando do Pe. Luiz Ignácio Taques Bittencourt (1883-1900);
  • O altar-mor e a sacristia, sob o comando do Pe. Bento Ibañez (1901-1905);
  • A nave central, a nave do templo, sob o comando do Pe. José Maria Fernandes (1917-1925).

Terminada a construção do novo templo, foi demolido o antigo. O novo, foi construído por cima do antigo, onde as ações paroquiais se realizam, sem interrupção, para a comunidade.
figura 90
Fig. 90 – Dom Duarte Leopoldo e Silva, Arcebispo Diocesano

  1. 6. A nova Matriz, com o atual perfil, foi inaugurada em 1/11/1924. Vigário: Pe. José Maria Fernandes. Bispo: Dom Duarte Leopoldo e Silva.

Ao consagrar o templo ao culto de Deus e em honra de Santo Amaro, Abade, o Bispo Diocesano, D. Duarte Leopoldo e Silva, proclamou a oração que está escrita em torno no altar-mor:

“Orantibus in loco isto
demitte peccata populi tui, Deus,
et ostende eis viam bonam,
per quam ambulent
et da gloriam in loco isto”.
(Aos que oram, neste lugar,
nós te pedimos, ó Deus,
perdoa os pecados do teu povo,
e mostra-lhe o bom caminho,
pelo qual caminhem e te glorifiquem neste    lugar, neste templo).

(Ouça este canto, no Youtube: https://www.youtube.com/watch?v=e3ioRY7HCSc

(João José Baldi – Orantibus in Loco Isto – Catedral de Angra dos Reis, Ilha dos Açores – Portugal.)

  1. 7. A nossa Matriz de Santo Amaro, hoje Catedral, sofreu rachaduras, em sua estrutura, causadas pelo movimento de terra, pela passagem, no subterrâneo, da linha do Metrô.

A Igreja ficou interditada, por quatro anos, durante as obras do Metrô.
Em seguida foi reformada, sob a orientação do atual Vigário, Pe. Rogério Cataldo.
A reforma foi iniciada pelo Mons. Getúlio Vieira, então Vigário da Catedral.
Ao preparar a pintura interior, apareceram belíssimas pinturas, cobertas por cal.

Foram todas restauradas.

O templo ficou muito belo…

  1. 8. Capela do Rosário.

Ao lado da Igreja de Santo Amaro, do lado esquerdo de quem olha do altar para o portal de entrada, onde está o atual estacionamento, estava a Capela de Nª Sª do Rosário, demolida em Maio de 1922, pela Prefeitura.

A área foi comprada pela Prefeitura, gestão Isaías Branco de Araújo, por escritura de 08/04/1922.

III

Instituições Sociais e Religiosas

  1. Na Igreja Matriz, hoje Catedral de Santo Amaro, atuaram diversas instituições laicas, com objetivos sociais e religiosos.

Estas ampliavam a ação da Igreja, pela comunidade.

– Irmandade do Santíssimo;
– Congregação São Vicente de Paula;
– Irmandade do Coração de Jesus;
– Filhas de Maria;
– Apostolado da Oração;
– Congregação Mariana;

e até os escoteiros, etc.

  1. As associações religiosas da Paróquia funcionavam como braços da Igreja que dinamizava a vida da comunidade; atendia aos carentes e formava grupos de diálogo e de oração.

A Congregação de São Vicente de Paulo fazia um trabalho social intenso, visitando e atendendo as famílias carentes, os doentes, os desempregados, assistindo-os nas necessidades básicas, inclusive, ajudando os desempregados a encontrar emprego, e os sem teto a encontrarem moradia.

  1. Quando Vigário, o Mons. Getúlio Vieira dirigiu um grupo de Escoteiros, que foi muito ativo. O escotismo é uma organização fundamental para a juventude e para a adolescência de nosso tempo, ao vivenciar as grandes virtudes cívicas, e dar oportunidade de vivenciar a convivência com a natureza. Merece mais atenção das igrejas.

Infelizmente, no presente, os Cristãos dedicam pouco interesse a esta modalidade de atuação, talvez por falta de interesse ou de visão…

  1. Hoje, a Paróquia da Catedral atua na Associação Jesus de Nazaré, que atende os carentes.

Num passado recente, era comum as Paróquias terem uma escola para educação de crianças e adolescentes, em tempos em que o poder público oferecia poucas escolas ao povo.

Até a década de 60, do séc. XX, muitas Igrejas paroquiais ainda mantinham escolas para o povo…, ao lado das Igrejas…

A grande expansão da educação, no Brasil, começou em 1968.

  1. As instituições paroquiais, de modo geral, eram eficientes formadoras de lideranças sociais, que estendiam sua atuação, para muito além do portal da Igreja.

Levavam os princípios Cristãos de dignidade humana, honra, persistência, solidariedade, alteridade e responsabilidade, por toda a sociedade.

Templo exterior, interior;

Vitrais, Pinturas e Imagens da Catedral

A Igreja Catedral de Santo Amaro, após a última reforma, que sanou os problemas, causados pela passagem do túnel subterrâneo da linha do Metrô, ficou mais bela do que antes, tanto em seu exterior, quanto em seu interior.

Em seguida, fazemos uma breve análise do templo, no seu exterior e no seu interior.

  1. 1 –Templo Exterior
  2. 2 –Templo Interior
  3. a) Vitrais
  4. b) Pinturas
  5. c) Imagens em Destaque:

1) Santo Amaro (padroeiro da região)
2) Nossa Senhora de Fátima (padroeira da Diocese)
3) Nossa Senhora Aparecida (Padroeira do Brasil)
4) Sagrada Família, Paradigma da organização familiar
5) São José (patrono da igreja Universal e da família, esposo de Maria)
6) Santo Antônio de Lisboa/Pádua (patrono da família)
7) São Vicente de Paula (protetor dos carentes)
8) Imaculada Conceição (padroeira de Portugal e de toda a Lusofonia).

De antemão lembramos que o templo material com seus elementos exteriores e interiores, com suas estruturas arquitetônicas e artísticas, com as suas imagens, pinturas e vitrais não são apenas elementos visuais.

São, antes, recursos que convidam à reflexão; elementos paradigmáticos que convidam à meditação, ao louvor e à oração.

Os Cristãos precisam conhecer a mensagem que todos os elementos artísticos lhes oferecem, como paradigmas.

Tudo o que está no templo tem alguma causa, a ser explicadas.

A parte exterior da Catedral teve muito poucas alterações.

Apenas foi mudada a pintura e colocada no frontispício, na torre, centralizada, a imagem da padroeira da Diocese, Nª Sª de Fátima. Está no meio, entre a imagem de S.Bento e a de Santo Amaro, como se vê abaixo:

Na. Sa. de Fátima,

no Pináculo da Catedral

Maria, mãe de Jesus, o Cristo, é a mulher, bendita entre todas as mulheres; é a obra-prima de Deus, na obra da criação; é a mãe de todos os viventes; é a rainha do mundo, a rainha da paz; a mãe de misericórdia; a mãe do amor; A mãe da Luz. É a mulher que Deus dotou de todas as graças; a gratia plena. É a rainha do mundo; a regina mundi.  Ela trouxe e mostrou Jesus ao mundo! Mostrou-o aos reis magos; mostrou-o ao sumo sacerdote, no templo de Jerusalém; mostrou-o a Simeão e a Ana, ainda no templo. Ela mostrou-o nas bodas de Caná: “Fazei tudo o que ele vos disser” (Jo 2.5), e os convidados exultaram de alegria.

Maria é a mãe e a grande mensageira de Jesus, o “ictis” (Jesus Cristo Filho de Deus, Salvador).

Em Fátima, Maria veio, de novo, falar à humanidade: Fazei tudo o que Ele vos disse, no Evangelho: Trabalhem por um mundo melhor: por um mundo de paz e bem-estar e tereis paz e bem-estar; respeitai a dignidade humana: a equidade, com equilíbrio, firmeza e alteridade; amai-vos uns aos outros e terei a paz na terra, porque onde está Deus aí está a paz.

“Pedi e recebereis. Batei e a porta se vos abrirá!” (Mt. 7.7).

Maria foi a primeira e é a maior missionária do Evangelho, em toda a humanidade, em todos os tempos. Insiste no genuíno espírito do Evangelho.

Do Pináculo da Catedral de Santo Amaro, com seu místico olhar sereno e atento, a Senhora de Fátima insiste: Segui o Espírito do Evangelho; fazei o que Jesus vos disser. Dos altos céus, a Senhora de Fátima nos lembra e renova a força da Fé, da Esperança e da Caridade; nos reacende a vida, nos abre novos Caminhos e nos traz alegria!

Do alto do Pináculo, a Senhora de Fátima lança seu olhar místico, pelo nosso povo e por toda a humanidade, por todos os carentes de amor, de fé e de esperança.

Fala às pessoas firmes na fé e na vida; fala também às pessoas doentes, tristes, desiludidas… Fala para toda a gente.

Fala, como mãe, às pessoas perdidas, pelos caminhos e becos da vida.

Para todos, ela tem uma palavra e um olhar amigo e certeiro.

Como Cristo, ela nos diz: “vinde a mim, vós que estais cansados, e eu vos aliviarei (…). Aqui achareis descanso para a vossa alma” para a vossa vida (Mt. 11. 28-30). Aqui encontrareis a PAZ, em vossos corações!

A Gruta/ Capelinha

de Na. Sa. de Fátima e os Pastorinhos

1)

gruta / Capelinha da Senhora de Fátima, foi inaugurada pelo Sr. bispo diocesano de Santo Amaro, no dia 13 de Maio de 2018, no encerramento do ano do centenário das Aparições de Fátima.

Agora o povo de Deus tem, em Santo Amaro – São Paulo, mais um oásis de esperança e de fé: Uma réplica do encontro da mãe de Jesus com as crianças e seu rebanho de ovelhas, em Fátima – Portugal. As três crianças, pessoas simples, de coração belo e encantador, iluminadas por Deus, ali representavam toda a gente da humanidade.

As ovelhas são uma homenagem ao trabalho; as crianças trabalhavam no pastoreio para ajudarem suas famílias.

Falando às crianças, Maria mandou uma grande mensagem de paz ao mundo. De Fátima, Maria falou ao mundo. Fala a nós também. Trouxe uma mensagem de esperança, a todo o povo. A mensagem de Fátima é mensagem de Fé, de Esperança e de Amor. É mensagem de alento, nas horas amargas, e de alegria, nos momentos de nossos sucessos, de nossos triunfos.

2) Em Fátima, em Portugal, terra de Santa Maria, a Senhora de Fátima trouxe ao mundo, uma mensagem de mãe, em tempo de muitas dificuldades, de carência, de falta de humanidade.

Em tempo de guerras fratricidas, mostrou os caminhos da paz, da misericórdia, do perdão, da concórdia e da harmonia.

Uma mensagem de amor para todos os dias, para toda a vida.

Uma mensagem de Luz e de Vida! Uma mensagem de gratidão!

É isto o que o povo sente, na gruta de Fátima, da catedral de Santo Amaro, e em outras partes do mundo, onde o povo a venera e ama.

“Bendita aquela que vem em nome do Senhor”.

“Jesus Cristo é o Senhor”. (Fl. 2.11).

 

TEMPLO INTERIOR

  1. a) VITRAIS

figura 96
Fig. 96 – Vitral no portão da entrada do templo.
Foto: JP

1) Os vitrais da Catedral de Santo Amaro são dignos de admiração. São obras de arte.

Diria que a Catedral oferece ao povo uma exposição permanente de ícones Cristãos, que convidam à oração e à meditação nos mistérios da vida e da fé.

As figuras dos vitrais e as pinturas das paredes e do forro foram criadas e elaboradas, com finalidades de lembrar, às pessoas, algumas das mensagens e acontecimentos da história da Salvação, no Antigo e no Novo Testamento, e também da História da Igreja.

     Têm a finalidade de instruir e elevar o espírito das pessoas; têm também finalidades  catequéticas, isto é, instrução sobre a Vida Cristã.

figura 97
Fig. 97 – Vitral Pelicano, no Presbitério.

Então os vitrais e as pinturas não têm apenas finalidade estética.

No entanto o Clero faz-lhes raras referências… Quase as desconhece…

Sempre se disse que uma imagem vale por mil palavras, se soubermos interpretá-las.

A Igreja Cristã soube usar, muito bem, o recurso das imagens, na pintura como na escultura, através da história.

Até os pais, quando vão à Igreja, ao explicar às crianças o significado dos quadros/pinturas, estão instruindo os filhos, na Mensagem Cristã: mensagem de vida.

2)  Os vitrais da Catedral, como afirmei acima, são obras notáveis.

Parte dos vitrais foram financiados pelo sr. João Dias (da empresa Estrela) que também foi o segundo provedor da Santa Casa, um benemérito da comunidade.

Os vitrais foram construídos pela família Conrado Sorgenicht, uma família de artistas…

A Catedral possui, aproximadamente, cinquenta (50) vitrais…

A empresa dessa família de artistas destaca-se pela feitura de obras, em lugares de grande destaque:

Em São Paulo, seus artistas produziram vitrais para a Catedral da Sé, para a Capela da Beneficência Portuguesa, para o Teatro Municipal, para a Faculdade de Direito do Lgo. São Francisco, Mercado Municipal da Rua Cantareira, Estação da Sorocabana, etc.

Destes, os que mais se destacam são os da Beneficência Portuguesa, da Sé e os do Mercadão.

Todos são obras de arte notáveis.

Observe um dos vitrais da Catedral de Santo Amaro:
figura 100 Fig.100

3) Para ver mais, acesse: <santoamarosp/galeriasantoamaro/catedral-vitrais>

No final deixaremos, para sua admiração, alguns vitrais da fabricação da família Sorgenicht:

Vitrais da Beneficência Portuguesa (Rua Maestro Cardim, nº 769):

Vitrais da Faculdade de Direito (Lgo. São Francisco):

Vitrais do Mercado Municipal – Rua Cantareira:

  1. b) PINTURAS

Também as pinturas da Catedral de Santo Amaro são obras de arte instrutiva.

No entanto, a arte, além de informar, precisa agradar, seduzir; é um convite à reflexão e à meditação.

As pinturas estão no forro, e também nas paredes internas.

Destaca-se a pintura do Presbitério e do forro da nave.

Padroeiro da Catedral de Santo Amaro
Padroeiro da Catedral de Santo Amaro
  1. c) IMAGENS EM DESTAQUE

Na Catedral, como instituição clássica da Igreja, são veneradas algumas imagens que falam muito à mente e ao coração das pessoas.

  • A imagem de Santo Amaro, padroeiro da cidade-bairro (Fig. 80, pág. 137), é fotografia da imagem original, doada pelo casal João Paes e Suzana, nos alvores do povoamento do Brasil. Esta é preservada como relíquia de valor histórico e moral inestimável. As fotos de Santo Amaro são repetidas em outros Capítulos.

A primeira igreja de Santo Amaro foi construída na margem esquerda do rio, no Ibirapuera.

  • A imagem de Nª Sª de Fátima aí está, em destaque, como padroeira da Diocese, com sua Mensagem de paz, dignidade e carinho pelo povo, onde não se faz distinção de classe social.
  • A imagem de José, pai-guardião de Jesus e patrono da família e o patrono da Igreja Católica.
  • A imagem de Santo Antônio, também patrono da família e dos carentes.

Estão aí, em destaque, outras imagens de santos venerados pelo povo:

  • Nª Sª Aparecida aí está, com especial esplendor, como padroeira do Brasil.
  • Imagem de Nª Sª da Conceição, padroeira da primeira Igreja da região construída pelos jesuítas, em 1554, no Ibirapuera/Jd. São Luís. Esta igreja desapareceu com a transferência da comunidade.

No frontispício da Catedral, na torre, estão: Santo Amaro, São Bento, São Paulo e São Pedro e por último, Nª Sª de Fátima, padroeira da Diocese, também no frontispício da torre.

Todos santos da Igreja, paradigmas de dignidade e caridade, falam à mente e ao espírito de nossa gente.

Eventos Litúrgicos e Artísticos

A Catedral da Sé, organiza eventos litúrgicos tradicionais, com alguma pompa.

Organiza também eventualmente, eventos artístico-religiosos.

Na foto abaixo, apresentamos foto do Coral Metropolitano, apresentando músicas natalinas, na véspera do Natal de 2017.

A igreja Catedral tem grande beleza arquitetônica, tanto no seu interior como no seu exterior.

Merece que lhe dediquemos um pouco de atenção.

Além de tudo o mais, a Catedral de Santo Amaro é a igreja-mãe de todas as igrejas cristãs da região; de todas as igrejas.

 

 

 

 

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Mãe Preta um ícone da História do Brasil

 

ODE À MÃE PRETA

              Nossa Gente Bronzeada

                          1

A Mãe Preta ou Maternidade

é um ícone sagrado,

da história do povo brasileiro.

Presença benfazeja, nesta nossa terra das palmeiras.

Foi uma das bases sólidas

de nossa nação multirracial e multicultural.

 

A Mãe Preta deixou à posteridade

lições de civismo e de generosidade.

Faz parte integrante da família brasileira,

com lugar especial, no recesso dos nossos lares,

desde alvorecer da nação.

 

Exaltada por Gilberto Freire (*),

a Mãe Preta tem méritos sem par,

em sua imensa e discreta simplicidade.

Mãe Preta não conheceu

complexos de inferioridade.

Ela é uma lição de vida.

É marca honrosa nacional.

 

                               2                           

Neste poema exaltamos a mãe.

Damos ressonância

ao monumento à Mãe Preta,

obra do escultor Júlio Guerra,

que esculpiu, em bronze, o carinho da mãe,

o carinho de todas as mães de nossas vidas.

Porque, homens e mulheres, todos temos uma mãe

que nos alegra, com seu carinho maternal,

e boas lembranças nos traz ao coração.

 

No Brasil temos algumas joias raras,

por muitos esquecidas.

Resgatá-las aquece nossas vidas,

e expande nossa autoestima;

aquece a nossa alma.

É missão digna e honrada.

 

Mãe Preta é marca solar, em nosso país.

É marca de vida, marca construtiva.

É um convite à reflexão e à alegria.

Convida-nos a uma revisão de conceitos.

 

Mãe Preta é um monumento venerável

à mulher brasileira,

à mulher universal.

É um monumento admirável!

É um monumento à humanidade

que engrandece a nossa gente!

 

Este poema é uma galeria

de imagens e de alegorias

que marcam um belo capítulo

da história do Brasil.

Exalta a vida e a Fraternidade Universal.

____________________

 

(*) Gilberto Freire aborda esta questão na sua obra magna, “Casa Grande e Senzala”

Elogio a Borba Gato

Por Afonso de Taunay

Sobre Manuel de Borba Gato, Afonso de Taunay escreveu um belo elogio:

IMG_8510_Fotor“Manuel de Borba, “Tenente General do Mato”, é, sem dúvida alguma, a figura mais notável dentre os filhos de Santo Amaro, é um dos maiores vultos da epopeia do Bandeirantismo Paulista.
Em homenagem a este imortal “calção de couro”, cujo nome enche as páginas da era de ferro do desbravamento do Brasil, colocamos uma figura de Bandeirante, revestido de seu característico gibão de armas, como “Tenente” de dextra do escudo que compusemos para a cidade de Santo Amaro, a convite do digno Presidente da Câmara de 1927.
Algum dia, “estamos certos, elevará a cidade de Santo Amaro uma estátua que relembre aos povos a figura imorredora do mais ilustre de seus filhos, até a data de hoje” (1927)”.

Nota: Júlio Guerra cumpriria esta profecia de Afonso de Taunay.
Ergueu o Borba Gato, uma estátua gigantesca.

AFONSO DE E. TAUNAY

Afonso de E. Taunay foi um dos mais destacados historiadores de São Paulo, e, por tabela, de Santo Amaro. Foi também um destacado historiador do Brasil.brasao_santo_amaro_Fotor
Nasceu em Florianópolis, aos 11/07/1876 e faleceu aos 20/03/1958.
Foi presidente de honra do Instituto Histórico e Geográfico de São Paulo e membro da Academia Brasileira de Letras.
Foi diretor do Museu Paulista (do Ipiranga).

PANTEÃO DOS ESCULTORES E PINTORES DO BRASIL

1. Júlio Guerra nasceu em Santo Amaro, São Paulo, quando Santo Amaro era um município autônomo.
Nasceu no dia 20 de janeiro de 1912.
Para estudar e também para expor sua obra, viajou pelo seu país e por outros países da América Latina. Viajou também para Portugal e Itália.
Em São Paulo, participou de muitas Bienais, onde foi premiado.
Morreu aos 89 anos, em São Paulo, no dia 21 de janeiro de 2001.

2. Da sua ampla produção artística, destacamos três obras primas: a Mãe Preta, Iguatinga e Borba Gato.
Por essas obras e por todas as outras, como escultor e como pintor, Júlio Guerra está eternamente no grande Panteão dos Grandes Escultores e Pintores Brasileiros.
Borba Gato é o grande marco, um dos mais destacados pontos de referência da Zona Sul da Capital.

3. Quem tiver acesso a esse belíssimo Panteão de artistas, no mundo espiritual, lá encontrará, em longos e alegres diálogos, nossos grandes artistas.
Júlio Guerra lá continuará a falar do povo de Santo Amaro e de suas belas tradições.
Em diversos grupos animados, todos conversam alegremente enquanto toca música de Carlos Gomes, e outros da MPB.
Sim, porque artista que se preze, é sempre alegre, ainda quando lhe falta de comer.
Num rápido lampejo podemos ver, ao longe: Antônio Francisco Lisboa (o Aleijadinho), Pedro Américo, Júlio Guerra, Nicola Rollo, Victor Brecheret, irmãos Bernardelli, Luigi Brizzolara, Lasar Segall, Di Cavalcanti, Tarsila do Amaral, Anita Malfatti, Benedito Calixto, Iberê Camargo, Hélio Oiticica, Aldemir Martins e muitos mais.
Os grandes artistas não morrem; são imortais. Viverão sempre na memória de seu povo.

4. Obras Monumentais de Autores brasileiros.
Observe algumas obras monumentais:
Profeta, do Aleijadinho.
Mãe Preta, de Júlio Guerra.
Independência, de Pedro Américo.
Verdi, de Nicola Rollo.
Bandeirantes, de Brecheret.
Raposo Tavares, de Luigi Brizzolara.

MÃE PRETA

janeiro 2011 098_FotorEstátua da Mãe Preta – Júlio Guerra

ÍCONE DA CULTURA NACIONAL – I

UMA LIÇÃO DE VIDA

A Mãe Preta é uma forte inspiração
para poetas, e para todos os cidadãos.

1. A estátua da Mãe Preta é uma das obras-primas de Júlio Guerra.
Está exposta na região central da grande cidade de São Paulo, no Largo do Paissandu. Foi feita para comemorar o 4º Centenário da cidade – 1954.
A Mãe Preta articula-se, em qualidade e força cívica, com a estátua gigante do Bandeirante “Borba Gato”, exposta à entrada de Santo Amaro, Cidade-Bairro de São Paulo, como guardião da história e da região; guardião das tradições deste povo.
Júlio Guerra, santamarense de alma e coração, foi um defensor incondicional dos valores históricos, e da cultura popular.
A Mãe Preta dá-nos lições de generosidade…, a quem souber ouvi-la.
A Mãe Preta real, de carne e osso, marcou uma bela página na história do Brasil.

2. Júlio Guerra conseguiu transmitir, em seu belo monumento à Mãe Preta, os sentimentos mais sagrados do povo brasileiro.
Mãe Preta é uma homenagem e uma lição de vida, deste povo multirracial.
A Mãe Preta é um marco em nossa história.
É uma escola de vida. É uma mensagem para as novas gerações e para toda a posteridade. Mensagem de paz. Mensagem de amor universal.
Mãe Preta responde ao ódio e à vingança, com carinho maternal.
A Mãe Preta é uma forte inspiração para poetas e artistas, e para todos os cidadãos.

3. Mãe Preta é um dos grandes ícones da cultura brasileira miscigenada e da história do Brasil.
É um símbolo de generosidade, de carinho, de convivência e de harmonia entre os povos: entre brancos, negros, pardos e índios. Representa o respeito mútuo que foi construído através dos tempos, apesar da crueldade que marcou tal convivência, fruto da condição humana.
Em vez de maldizer os males do passado, exaltemos o que é bom e o bem feito, as boas lembranças.
“É melhor acender uma luz do que maldizer a escuridão”;
Desde Caim e Abel, a história humana é uma história de paradoxos.

A Mãe Preta, de Júlio Guerra, é um monumento à mulher brasileira, um monumento a todas as mães, de todas as raças e de todos os tempos:
É um hino à maternidade. Mãe é mãe, qualquer que seja seu povo, sua formação ou a cor de sua pele.

4. A Mãe Preta, com o português, foi a silenciosa obreira da exemplar convivência e miscigenação de raças que criou este imenso e operoso Brasil: muitos povos e uma só nação de irmãos, superando inúmeros preconceitos e muitas humilhações.
Nossa história é mais rica em glória do que em feitos inglórios.
A multiplicidade de povos, vivendo em harmonia, nos marcou como povo moreno. Esta situação privilegiada se reflete na Mãe Preta.

A mestiçagem marca o Brasil, com todas as suas glórias e contradições.
Sem a ação decisiva da mestiçagem, a gloriosa conquista dos heroicos Bandeirantes teria sido quase impossível.

Tiremos o chapéu, reverentes, às glórias de nossa história. Tudo que se fez com heroísmo e sacrifícios nós não podemos esquecer. Faz-nos bem à alma.
Essa é a grande lição de Júlio Guerra, a toda a nossa nação.
A homenagem à Mãe Preta é uma homenagem bem merecida.
Não conheço homenagem mais digna de ser honrada e cantada.

5. A Mãe Preta é marco de superação de antagonismos, de superação de limites.
Deixou uma marca indelével no Brasil. Foi um dos pilares da família brasileira.
Ela foi decisiva da construção da alma do povo brasileiro, ao participar da amamentação e da educação dos filhos dos empreendedores desta terra, de nossa nação.
Mãe Preta é, hoje, um símbolo exemplar de um mundo plural, sem fronteiras de raça, cores ou credo; símbolo do compartilhar do pão, da vida e do amor; símbolo de dignidade humana. Símbolo de valores que vão sendo esquecidos, levando à reedição da barbárie. É símbolo da fraternidade multirracial do Brasil.

ÍCONE DA CULTURA NACIONAL – II

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UM POEMA EM BRONZE

6. Júlio Guerra seguiu o grande exemplo de Gilberto Freire, que demoliu o preconceito contra o mestiço, no Brasil.
O Brasil precisa da Mãe Preta, hoje, em tempos de liberdade, como precisou dela no tempo da escravidão.
Precisa dela e de todas as mães, para ensinar à nação o respeito à honra e à dignidade humana, sem discriminação.
Que a Mãe Preta, como todas as mães, ensine à nação lições de generosidade e de verdade; lições de luta contra a mentira e a crueldade, contra toda a injusta discriminação entre as pessoas.

Júlio Guerra abriu nova página, em nossa história: soube honrar nossos gigantes do passado. Soube celebrá-los em pedra e bronze, para a eternidade.
Júlio Guerra foi um heroico demolidor de preconceitos deploráveis, que infestam certos ambientes, com ideias apequenadas, deturpando a história do Brasil.
Contou, em bronze e em painéis, a tradição, os Bandeirantes e o povo miscigenado.
Cantou Santo Amaro, terra de nobres tradições e de muita grandeza.
Não deixemos que os vermes da insensatez e do preconceito apequenem esta gente e nossa mente.

7. A Mãe Preta é uma eloquente lição de vida, para toda a nossa gente, até para quem pensa diferente. É uma estátua que fala, por seus gestos, por sua postura.
A Mãe Preta, de Júlio Guerra lembra-nos um pouco a estátua de Moisés, de Michelangelo, que se encontra em Roma (São Pedro in Vinculi). As duas parecem falar, embora através de alegorias. Moisés fala aos nobres; a Mãe Preta fala aos humildes. Os dois falam a todos que quiserem ouvir.
A Mãe Preta parece que nos fala. Parece que ainda nos conta suas histórias de vida; histórias lúdicas e comoventes. Fala conosco, fala com o filho e fala para toda a gente.
Pelo seu olhar, a gente sente suas histórias exemplares; histórias que ela contava aos pequeninos…
Ela fala sempre, com olhar de quem ama.
Ela ainda nos canta doces cantigas de ninar… para quem souber ouvi-la.
Ela nos conta histórias para a gente sonhar.
A Mãe Preta era uma exímia contadora de histórias, como nossas avós.

A estátua da Mãe Preta, de Júlio Guerra, é um eloquente poema em bronze, um magnífico hino à maternidade e à mulher brasileira, um monumento ao povo moreno, ao povo brasileiro. Mulheres negras, brancas ou morenas, todas se espelham na estátua da “Mãe Preta”. Mãe é mãe, e ponto final.
A Mãe Preta é um monumento a todas as mulheres do mundo, a todas as mães, independente de raça, povo ou condição social.
É um magnífico monumento à maternidade, a cada uma de nossas mães de ontem, de hoje e de amanhã. É um monumento à Mãe Brasileira.
É um monumento eterno, um eterno hino de amor, personificado nesta magnífica representação, nesta bela alegoria.
Na Mãe Preta, a nossa “gente bronzeada” mostra o seu valor, o seu amor e seu calor.

8. A Mãe Preta é um símbolo do Brasil Cristão, símbolo de fraternidade e cordialidade.
É símbolo de uma ação pacífica, similar à de M. Gandhi, na Índia do séc. XX. Ou como Mandela, na África do Sul.
Mãe Preta é símbolo de reconciliação, de harmonização, de respeito mútuo; é símbolo de uma nação pacífica multirracial. Ela é mais que uma categoria de pessoas do bem; ela é uma instituição.
Este é o Brasil verdadeiro, quer alguns queiram quer não. História é História. Não queiramos falseá-la. Não façamos leituras enviesadas, traiçoeiras e preconceituosas.
A comunidade considera a estátua da Mãe Preta como espaço sagrado: homenageia-a, oferecendo-lhe flores, permanentemente.
Como país pacífico e multirracial, o Brasil é um país sem igual.
Muito pode ensinar ao nosso mundo cruel… Mas ainda temos muito que aprender…

MÃE PRETA, ÍCONE DA GENEROSIDADE MATERNA – III
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9. A estátua da Mãe Preta é palco anual de homenagens, por brancos, pardos e negros, como símbolo de uma cidade e de um país unido e plural, de um povo que quer construir, em paz, a prosperidade, com bem-estar. É a comemoração comunitária anual do dia 13 de Maio.
Mãe Preta é um ícone da maternidade. Não leva em conta a cor da pele.
Hoje, em torno da Mãe Preta, ali no Paissandu, vive um amplo grupo de pessoas sem rumo; pessoas sem lar e sem esperança; pessoas que buscam o calor da mãe, para reencontrarem o seu destino, o sentido de sua vida.
Junto à estátua da Mãe Preta, certamente encontram algum alento.
Mãe Preta é uma lição de vida, bem viva. Ela deixa à margem toda a má fé e opressão das ideologias demolidoras, que querem abolir a razão.

10. Embora sendo um monumento, em bronze, como ícone cultural, para as pessoas, parece-lhes que ela tem um imenso coração humano, batendo em seu peito. Assim foi a mãe ali exaltada.
A Mãe Preta, como ícone, faz bater forte, o coração humano, irradiando simpatia, acolhimento e generosidade.
Transmite um forte sentimento de fé, de esperança e de solidariedade.
Este é um dos espaços sagrados de São Paulo, capital, e do Brasil.

11. A estátua da Mãe Preta perfila-se ao lado de todos os símbolos da mulher brasileira, que, desde tempos remotos deram a base desta nação multirracial.
Ao lado de Bartira, em São Paulo; de Catarina de Paraguaçu, em Salvador; de Iracema, no Ceará e ainda de Moema, Lindóia e outras mais.

São Paulo tem uma dívida histórica com o poeta da escultura, cultor dos nossos heróis.
O Brasil tem uma dívida perene com a Mãe Preta.
Honra seja feita a Júlio Guerra que deu, à nossa História, novo brilho; porque honrou os bravos Bandeirantes e a Mãe Preta, a mãe universal.
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PALMEIRAS EM SANTO AMARO E EM SÃO PAULO

Brasil: Terra das Palmeiras

1. Palmeira-Jerivá.

A Palmeira-Jerivá, Jeriba ou Juruba era muito frequente em Santo Amaro, na época do início da colonização, no séc. XVI.
Jurubatuba significa “campo de jurubás”; é o coletivo de Jurubá ou Jerivá.
Jerivá/Jurubá é a palmeira típica desta região.
O rio de Santo Amaro é o Rio Jurubatuba.
No entanto, hoje, a região de Santo Amaro, como toda a cidade de São Paulo, tem palmeiras, por toda a parte e de muitas espécies.
Destacam-se a Palmeira-Real, a Palmeira-Imperial, que são as mais majestosas e esbeltas, mas existem muitas outras espécies.
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2. Palmeira-Imperial.

Introduzida no Brasil, por D. João VI, (início do séc. XIX), proveniente das Antilhas.
Essas palmeiras estão ainda hoje no Jardim Botânico, no Rio de Janeiro.
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3. Palmeira-Real.

Semelhante a imperial, mas o tronco é mais fino. Como a imperial tem palmito.
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4. Areca.

Originária da Índica.
É cultivada como planta ornamental.
É muito comum em jardins.
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5. Outras Palmeiras.

RELIGIÃO E RELIGIÕES EM SANTO AMARO

Neste sítio, santoamarosp.com, não poderia faltar alguma notícia sobre religião, como espaço de manifestação e de encontro do povo.
Os templos são também espaços de cultura, espaços sociais, dos mais representativos.
Para a maioria das pessoas, mais de 60%, a Igreja é o único espaço onde podem manter contato com a cultura, e onde cultivam os princípios de convivência e aprofundam seus conhecimentos e princípios de sabedoria da vida.
As Igrejas, na sua maioria, são fatores eficientes de desenvolvimento humano e de cultivo da dignidade humana, da verdade e da honra.

Falaremos das Igrejas/templos mais representativos e atuantes, da forma mais objetiva possível.
Informações breves são aqui expostas, na medida em que tivermos acesso a tais informações, objetivamente, sem proselitismo, mas com respeito.
De cada religião falaremos do templo ou templos que mais se destacam, sem proselitismo nos chegam as imagens.
Damos destaque maior à Igreja Cristã-Católica, por ser, de longa, a mais antiga e a mais difundida: com maior número de fiéis.
RELIGIÕES de que aqui falaremos:

1. Igreja Cristã-Católica:

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Igreja Catedral Santo Amaro
(Clique para consultar)

2. Igreja Assembleia de Deus

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(Clique para consultar)

3. Igreja Luterana

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Igreja Luterana da Paz
(Clique para consultar)

4. Igreja Universal – IURD

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Catedral da Fé
(Clique para consultar)

5. Igreja Metodista

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(Clique para consultar)
http://www.metodista.com.br

6. Igreja Anglicana

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Catedral Anglicana
(Clique para consultar)

7. Igreja Batista

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(Clique para consultar)

8. Solo Sagrado – Templo Messiânico –
Guarapiranga – Interlagos
O Solo Sagrado da Igreja Messiânica está situado nas margens da Represa Guarapiranga, na Zona Sula de São Paulo, Interlagos, Santo Amaro.
Ocupa uma área de 327.500 m2. Além do templo, muito original, do qual expomos aqui um álbum de fotos, tem uma série de outras construções.
O Solo Sagrado destaca-se pela beleza das construções e dos jardins. Há flores por toda a parte. Tudo muito bem cuidado.
A cultura das flores e do belo, em tudo, faz parte da filosofia messiânica, na busca da harmonia, do equilíbrio e da elevação espiritual.
Diria que o Solo Sagrado segue o modelo de Igreja-Parque, como também temos Escola-Parque e Condomínios-Parque.
No entanto, no Brasil há outras Igrejas-Parque (ou Escola-Parque) com dimensões ou objetivos similares ao Solo Sagrado. Temos até Residências-Parque.
O fundador da Igreja Messiânica diz que seu objetivo é criar, em cada Solo Sagrado, um protótipo do Paraíso Terrestre.
Aí, como no Éden do Gênesis, as pessoas podem passar momentos felizes, no meio de certo encantamento, que o ambiente artístico e natural produz, abrindo espaço à meditação e à reflexão.
Toda a beleza enleva o espírito e nos eleva a Deus.
No entanto chamar a isto de protótipo do Paraíso Terrestre não passa de uma figura retórica precária. Está longe de ser mais do que uma sombra do Paraíso Terrestre. Vale pela intenção.

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(Clique para consultar)

9. Igreja Adventista do Sétimo Dia

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Nota: Os interessados que se enquadrem nos objetivos deste “sítio”, poderão entrar em contato conosco. A credibilidade social é fundamental. Podemos acrescentar: data de fundação, atuação sociocultural e horários de culto e outras programações específicas sazonais.

10. Igreja Presbiteriana

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