MÃE PRETA

janeiro 2011 098_FotorEstátua da Mãe Preta – Júlio Guerra

ÍCONE DA CULTURA NACIONAL – I

UMA LIÇÃO DE VIDA

A Mãe Preta é uma forte inspiração
para poetas, e para todos os cidadãos.

1. A estátua da Mãe Preta é uma das obras-primas de Júlio Guerra.
Está exposta na região central da grande cidade de São Paulo, no Largo do Paissandu. Foi feita para comemorar o 4º Centenário da cidade – 1954.
A Mãe Preta articula-se, em qualidade e força cívica, com a estátua gigante do Bandeirante “Borba Gato”, exposta à entrada de Santo Amaro, Cidade-Bairro de São Paulo, como guardião da história e da região; guardião das tradições deste povo.
Júlio Guerra, santamarense de alma e coração, foi um defensor incondicional dos valores históricos, e da cultura popular.
A Mãe Preta dá-nos lições de generosidade…, a quem souber ouvi-la.
A Mãe Preta real, de carne e osso, marcou uma bela página na história do Brasil.

2. Júlio Guerra conseguiu transmitir, em seu belo monumento à Mãe Preta, os sentimentos mais sagrados do povo brasileiro.
Mãe Preta é uma homenagem e uma lição de vida, deste povo multirracial.
A Mãe Preta é um marco em nossa história.
É uma escola de vida. É uma mensagem para as novas gerações e para toda a posteridade. Mensagem de paz. Mensagem de amor universal.
Mãe Preta responde ao ódio e à vingança, com carinho maternal.
A Mãe Preta é uma forte inspiração para poetas e artistas, e para todos os cidadãos.

3. Mãe Preta é um dos grandes ícones da cultura brasileira miscigenada e da história do Brasil.
É um símbolo de generosidade, de carinho, de convivência e de harmonia entre os povos: entre brancos, negros, pardos e índios. Representa o respeito mútuo que foi construído através dos tempos, apesar da crueldade que marcou tal convivência, fruto da condição humana.
Em vez de maldizer os males do passado, exaltemos o que é bom e o bem feito, as boas lembranças.
“É melhor acender uma luz do que maldizer a escuridão”;
Desde Caim e Abel, a história humana é uma história de paradoxos.

A Mãe Preta, de Júlio Guerra, é um monumento à mulher brasileira, um monumento a todas as mães, de todas as raças e de todos os tempos:
É um hino à maternidade. Mãe é mãe, qualquer que seja seu povo, sua formação ou a cor de sua pele.

4. A Mãe Preta, com o português, foi a silenciosa obreira da exemplar convivência e miscigenação de raças que criou este imenso e operoso Brasil: muitos povos e uma só nação de irmãos, superando inúmeros preconceitos e muitas humilhações.
Nossa história é mais rica em glória do que em feitos inglórios.
A multiplicidade de povos, vivendo em harmonia, nos marcou como povo moreno. Esta situação privilegiada se reflete na Mãe Preta.

A mestiçagem marca o Brasil, com todas as suas glórias e contradições.
Sem a ação decisiva da mestiçagem, a gloriosa conquista dos heroicos Bandeirantes teria sido quase impossível.

Tiremos o chapéu, reverentes, às glórias de nossa história. Tudo que se fez com heroísmo e sacrifícios nós não podemos esquecer. Faz-nos bem à alma.
Essa é a grande lição de Júlio Guerra, a toda a nossa nação.
A homenagem à Mãe Preta é uma homenagem bem merecida.
Não conheço homenagem mais digna de ser honrada e cantada.

5. A Mãe Preta é marco de superação de antagonismos, de superação de limites.
Deixou uma marca indelével no Brasil. Foi um dos pilares da família brasileira.
Ela foi decisiva da construção da alma do povo brasileiro, ao participar da amamentação e da educação dos filhos dos empreendedores desta terra, de nossa nação.
Mãe Preta é, hoje, um símbolo exemplar de um mundo plural, sem fronteiras de raça, cores ou credo; símbolo do compartilhar do pão, da vida e do amor; símbolo de dignidade humana. Símbolo de valores que vão sendo esquecidos, levando à reedição da barbárie. É símbolo da fraternidade multirracial do Brasil.

ÍCONE DA CULTURA NACIONAL – II

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UM POEMA EM BRONZE

6. Júlio Guerra seguiu o grande exemplo de Gilberto Freire, que demoliu o preconceito contra o mestiço, no Brasil.
O Brasil precisa da Mãe Preta, hoje, em tempos de liberdade, como precisou dela no tempo da escravidão.
Precisa dela e de todas as mães, para ensinar à nação o respeito à honra e à dignidade humana, sem discriminação.
Que a Mãe Preta, como todas as mães, ensine à nação lições de generosidade e de verdade; lições de luta contra a mentira e a crueldade, contra toda a injusta discriminação entre as pessoas.

Júlio Guerra abriu nova página, em nossa história: soube honrar nossos gigantes do passado. Soube celebrá-los em pedra e bronze, para a eternidade.
Júlio Guerra foi um heroico demolidor de preconceitos deploráveis, que infestam certos ambientes, com ideias apequenadas, deturpando a história do Brasil.
Contou, em bronze e em painéis, a tradição, os Bandeirantes e o povo miscigenado.
Cantou Santo Amaro, terra de nobres tradições e de muita grandeza.
Não deixemos que os vermes da insensatez e do preconceito apequenem esta gente e nossa mente.

7. A Mãe Preta é uma eloquente lição de vida, para toda a nossa gente, até para quem pensa diferente. É uma estátua que fala, por seus gestos, por sua postura.
A Mãe Preta, de Júlio Guerra lembra-nos um pouco a estátua de Moisés, de Michelangelo, que se encontra em Roma (São Pedro in Vinculi). As duas parecem falar, embora através de alegorias. Moisés fala aos nobres; a Mãe Preta fala aos humildes. Os dois falam a todos que quiserem ouvir.
A Mãe Preta parece que nos fala. Parece que ainda nos conta suas histórias de vida; histórias lúdicas e comoventes. Fala conosco, fala com o filho e fala para toda a gente.
Pelo seu olhar, a gente sente suas histórias exemplares; histórias que ela contava aos pequeninos…
Ela fala sempre, com olhar de quem ama.
Ela ainda nos canta doces cantigas de ninar… para quem souber ouvi-la.
Ela nos conta histórias para a gente sonhar.
A Mãe Preta era uma exímia contadora de histórias, como nossas avós.

A estátua da Mãe Preta, de Júlio Guerra, é um eloquente poema em bronze, um magnífico hino à maternidade e à mulher brasileira, um monumento ao povo moreno, ao povo brasileiro. Mulheres negras, brancas ou morenas, todas se espelham na estátua da “Mãe Preta”. Mãe é mãe, e ponto final.
A Mãe Preta é um monumento a todas as mulheres do mundo, a todas as mães, independente de raça, povo ou condição social.
É um magnífico monumento à maternidade, a cada uma de nossas mães de ontem, de hoje e de amanhã. É um monumento à Mãe Brasileira.
É um monumento eterno, um eterno hino de amor, personificado nesta magnífica representação, nesta bela alegoria.
Na Mãe Preta, a nossa “gente bronzeada” mostra o seu valor, o seu amor e seu calor.

8. A Mãe Preta é um símbolo do Brasil Cristão, símbolo de fraternidade e cordialidade.
É símbolo de uma ação pacífica, similar à de M. Gandhi, na Índia do séc. XX. Ou como Mandela, na África do Sul.
Mãe Preta é símbolo de reconciliação, de harmonização, de respeito mútuo; é símbolo de uma nação pacífica multirracial. Ela é mais que uma categoria de pessoas do bem; ela é uma instituição.
Este é o Brasil verdadeiro, quer alguns queiram quer não. História é História. Não queiramos falseá-la. Não façamos leituras enviesadas, traiçoeiras e preconceituosas.
A comunidade considera a estátua da Mãe Preta como espaço sagrado: homenageia-a, oferecendo-lhe flores, permanentemente.
Como país pacífico e multirracial, o Brasil é um país sem igual.
Muito pode ensinar ao nosso mundo cruel… Mas ainda temos muito que aprender…

MÃE PRETA, ÍCONE DA GENEROSIDADE MATERNA – III
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9. A estátua da Mãe Preta é palco anual de homenagens, por brancos, pardos e negros, como símbolo de uma cidade e de um país unido e plural, de um povo que quer construir, em paz, a prosperidade, com bem-estar. É a comemoração comunitária anual do dia 13 de Maio.
Mãe Preta é um ícone da maternidade. Não leva em conta a cor da pele.
Hoje, em torno da Mãe Preta, ali no Paissandu, vive um amplo grupo de pessoas sem rumo; pessoas sem lar e sem esperança; pessoas que buscam o calor da mãe, para reencontrarem o seu destino, o sentido de sua vida.
Junto à estátua da Mãe Preta, certamente encontram algum alento.
Mãe Preta é uma lição de vida, bem viva. Ela deixa à margem toda a má fé e opressão das ideologias demolidoras, que querem abolir a razão.

10. Embora sendo um monumento, em bronze, como ícone cultural, para as pessoas, parece-lhes que ela tem um imenso coração humano, batendo em seu peito. Assim foi a mãe ali exaltada.
A Mãe Preta, como ícone, faz bater forte, o coração humano, irradiando simpatia, acolhimento e generosidade.
Transmite um forte sentimento de fé, de esperança e de solidariedade.
Este é um dos espaços sagrados de São Paulo, capital, e do Brasil.

11. A estátua da Mãe Preta perfila-se ao lado de todos os símbolos da mulher brasileira, que, desde tempos remotos deram a base desta nação multirracial.
Ao lado de Bartira, em São Paulo; de Catarina de Paraguaçu, em Salvador; de Iracema, no Ceará e ainda de Moema, Lindóia e outras mais.

São Paulo tem uma dívida histórica com o poeta da escultura, cultor dos nossos heróis.
O Brasil tem uma dívida perene com a Mãe Preta.
Honra seja feita a Júlio Guerra que deu, à nossa História, novo brilho; porque honrou os bravos Bandeirantes e a Mãe Preta, a mãe universal.
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